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quinta-feira, 11 de junho de 2009

O dinheiro compra tudo ?

A gigante petrolífera multinacional Shell acordou pagar 15,5 milhões de dólares (11,1 milhões de euros) num acordo extrajudicial do processo em que estava acusada de cumplicidade em casos de violação dos direitos humanos, incluindo a morte do escritor nigeriano e activista ambiental Ken Saro-Wiwa, em 1995, pelo regime militar que na altura governava o país
.
Juntamente com Ken Saro-Wiwa, outros oito líderes da tribo ogoni foram enforcados na sequência de protestos contra os danos ambientais causados pela petrolífera na Nigéria - oitavo maior exportador mundial de petróleo.

A Shell poupou-se, com este acordo, a um julgamento - que se adivinhava longo e danoso para a imagem da empresa - onde surgia acusada de ter ajudado o regime nigeriano a capturar e executar Saro-Wiwa e os outros oito activistas do Movimento para a Sobrevivência do Povo Ogoni (Mosop).

O processo denunciava ainda que a petrolífera fornecera armas à polícia nigeriana durante a década de 1990, participara em raides em zonas do território do povo ogoni e contratara tropas fiéis ao regime que dispararam sobre aldeãos em manifestações contra a construção de oleodutos.

Assim é o capitalismo, pode-se ser criminoso, matar dezenas, centenas, milhares, milhões que basta ter dinheiro e passa-se uma esponja sobre a sua folha de cadastro… Até quando?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Pequenos ditadores

Na escola de Santa Luzia em Tavira, no final do mês de Abril, numa aula de expressão dramática um aluno magoou-se, por azar do professor, o aluno era filho do Presidente da Câmara de Tavira de seu nome Macário Correia, do PSD, que na política é lembrado por ter comparado o beijo a uma mulher que fume ao acto de lamber um cinzeiro.

Desta vez, o sr. Macário não hesitou e mal soube do que sucedeu ao seu filho, mandou suspender o professor, sem ter minimamente investigado o que se tinha passado, sem se ter dado ao trabalho de ouvir alguém, e dessa forma, num acto perfeitamente arbitrário, os restantes alunos ficaram sem poder frequentar as aulas de expressão dramática.
Para a presidente da associação de pais daquela escola: ”Foi comprovada a qualidade do trabalho que o professor tem estado a desenvolver e esperamos que o engenheiro Macário Correia volte atrás”.

Mas parece que para este pequeno ditador, a vontade dos pais e dos professores não passa de “manifestações próprias de períodos pré-eleitorais”, e recusa-se a voltar atrás na sua decisão.
Para o Sindicato dos Professores da Zona Sul, a situação é um "mau prenúncio", não só porque "se trata de um autarca defensor da municipalização das escolas", como também porque, "com a nova legislação, a gestão das escolas podem ficar subordinadas ao poder autárquico".