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terça-feira, 19 de maio de 2009

Gente fora de tempo

Segundo o Público de ontem «A celebração eucarística abriu com a leitura de uma carta do Papa Bento XVI a lembrar as razões por que o monumento foi construído: "Pela paz e pela prosperidade em que se encontrava a sua nação, face ao avanço da doutrina comunista no mundo, da predominância da guerra civil na vizinha Espanha, [...] contra o ateísmo".

Ou seja o Papa (e a igreja?) acham que na altura em que o Cristo-Rei foi construído, 1959, Portugal encontrava-se em paz e prosperidade, opondo-se ao “papão” comunista que então grassava no mundo. Este papa é verdadeiramente um anacronismo.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

A propósito do novel santo

A propósito do novel santo Nun’Álvares Pereira, encontrei este texto de Álvaro Cunhal (escrito na década de 50 do século passado), publicado no blog cinco dias por Tiago Mota saraiva. É interessante para se perceber o tipo de pessoas que a igreja considera santo.

“Quanto a Nun’Álvares, a sua avidez e ganância são atestadas por numerosos incidentes, conflitos e reclamações. Assim, por exemplo, quando D. João I lhe doou os direitos de Almada, Nun’Álvares achou pouco e tomou conta, por sua iniciativa e abuso (sancionado depois com uma demanda) dos esteiros de Arrentela e Corroios. Os seus rendimentos provenientes das doações feitas por D. João I foram avaliados em 16.000 dobras cruzadas. Mais de uma vez, quando resistiam à sua desmedida ganância e à dos seus apaniguados, Nun’Álvares ameaçava… abandonar. Lutar, lutava. Mas mais bem pago que o rei. Assim Nun’Álvares se tornou senhor de Barcelos, Braga e Guimarães, Montalegre e Chaves, Ourém e Porto de Mós, Alter do Chão e Sousel, Borba e Vila Viçosa, Estremoz e Arraiolos, Montemor-o-novo e Portel e ainda Almada, Évora-Monte, Monsaraz, Loulé e muitos e muitos outros reguengos e muitas e muitas outras rendas de muitos e muitos lugares. É de um homem destes que a Igreja Catolica fez um Santo, erguendo-lhe uma igreja em Lisboa aonde os pobres vão orar-lhe e pedir-lhe a sua intervenção junto de Deus…”

Álvaro Cunhal, “As Lutas de Classes em Portugal nos Fins da Idade Média”, ed. Estampa, 1975

sábado, 4 de outubro de 2008

Bombardeamento do parlamento Russo

Uma das ideias que alguns inocentemente e outros nem tanto gostam de propagar, é a de o fim da União Soviética foi um processo rápido, pacifico e acarinhado entusiasticamente pela população, ideia que não corresponde ao que na verdade se passou na década de 80/90 do século passado.
Faz hoje 15 anos que forças do Exército russo, às ordens de Boris Ieltsin, depois do bombardeamento por artilharia do edifício, assaltaram o Parlamento russo, eleito democraticamente (segundo as opiniões ocidentais), numa operação militar que, provocou 12 mortos (9 dos quais mortos por «fogo amigo») entre as «forças da ordem» e 187 mortos e 437 feridos do lado dos resistentes no Parlamento (segundo o governo russo, outras fontes falam em 2 mil mortos).

Foi pois com este banho de sangue e com este assalto armado a um Parlamento legítimo que terminou o que ficou conhecido como «a crise constitucional russa de 1993».
A crise, vinda de trás, tinha-se agudizado quando, em 21 de Setembro, o bêbado que então ocupava a presidência da Federação Russa resolveu dissolver o Congresso dos Deputados do Povo e o seu Soviete Supremo. A decisão de Ieltsin violava escandalosamente a Constituição em vigor da Federação Russa que estabelecia, que «os poderes do Presidente da Federação Russa não podem ser usados para mudar a organização nacional e estatal da Federação Russa, para dissolver ou interferir no funcionamento dos órgãos eleitos do poder do Estado. Neste caso, os seus poderes cessam imediatamente».

Foi nesta base que o Parlamento desencadeou um processo de «impeachment» contra Ieltsin e designou Presidente o sucessor constitucionalmente legítimo, ou seja o vice-Presidente general Alexander Rutskoy.

Este autêntico golpe de Estado conduzido por Boris Ieltsin foi activamente apoiado pelo imaculado democrata William Clinton, Presidente dos EUA, pelos democráticos governos ocidentais e pelas democráticas organizações como a União Europeia, a Nato e o Conselho da Europa.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Se a coisa pega...

Um processo inédito no Brasil - e raro à escala mundial - está a ser analisado pela justiça brasileira. É movido contra o Governo dos Estados Unidos da América pela viúva e pelos filhos de João Goulart - que foi destituído da Presidência do Brasil, em 1964, pelos militares. Sempre se disse que a saída de Goulart tinha o dedo da CIA, o que viria a ser confirmado formalmente, há três anos, por Lincoln Gordon, à época embaixador americano no Brasil. A família de Goulart exige agora, de Washington, uma indemnização de quatro mil milhões de reais, o equivalente a um milhão e meio de euros.

Tanto no seu livro Brasil - Uma Segunda Chance, Rumo ao Primeiro Mundo, lançado em 2005, como em entrevistas durante o lançamento da obra, o diplomata disse que o Governo americano, através da CIA, financiou políticos para desestabilizarem o Governo de Goulart, abertamente de esquerda, citando que isso também ocorreu na Itália do pós-guerra, quando os americanos não queriam a influência de políticos dessa área política.

A família exige uma indemnização por danos morais e patrimoniais devido ao facto de ter sido obrigada a morar fora do país. Segundo o advogado, Goulart teve um forte apoio popular durante o seu mandato, entre 1961 e 1964. O que mais incomodava os americanos era a ameaça de aprovação de uma lei que iria restringir a remessa de lucros por parte de multinacionais. A acção da CIA desenvolvia-se através de dois órgãos "de fachada": o Instituto Brasileiro de Acção Democrática (IBADE) e o Instituto de Pesquisas Económicas e Sociais (IPES). O primeiro mantinha sobretudo contactos com políticos, o segundo com militares.
O advogado admite a hipótese de os Estados Unidos não darem qualquer atenção, já que esse país não aceita sequer as decisões do Tribunal Internacional de Haia para os seus cidadãos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Recordando o 11 de Setembro

Recordando o 11 de Setembro de 1973 e o papel dos EUA na subida de Pinochet ao poder.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Percebendo o passado

Não há nada como o tempo para ajudar a perceber alguns fenómenos, senão na totalidade pelo menos em parte. Hoje saíram duas notícias/histórias que ajudam a compreender algumas das motivações e razões de acontecimentos dos anos 90.

Mikail Gorbachov, ex-presidente da URSS, vai ser condecorada com a medalha da liberdade 2008, informou hoje o Centro da constituição dos EUA.
O presidente George Bush entregará a medalha ao ex-presidente da URSS a 18 de Setembro em Filadélfia, numa cerimónia dedicada ao 20º aniversário da queda do muro de Berlim.
Não deixa de ser significativo que ao fim deste tempo todo, Bush condecore Gorbachov pelos bons serviços que este prestou ao império e ao capitalismo.

Noutro momento de clarificação do passado, Lech Walesa desabafou nestes termos numa entrevista:

Pergunta: João Paulo II foi o seu maior aliado no derrube do regime comunista?


Resposta: O Papa era a palavra, eu, Walesa, fui o corpo. É preciso entender isso. O Papa deu a palavra e nós transformamo-la em corpo e foi assim que pudemos conseguir a vitória. Não teríamos tido a vitória sem a palavra do Papa, mas só a palavra não chegava e a prova disso é Cuba. O Papa também foi lá levar a sua palavra e não houve ninguém a corporiza-la. Os polacos com a minha liderança conseguiram a liberdade. Conseguimos a unidade da Europa, a globalização.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Há 69 anos

5 Horas e 45 minutos de 1 de Setembro de 1939.

Começava a II Guerra Mundial, a partir de um falso incidente provocado pelo nazismo alemão na estação de rádio de Gleiwitz, junto da fronteira com a Polónia. Como todas as guerras de agressão esta começava com uma mentira.

Começava a loucura que iria custar a vida a 50 milhões de pessoas.

A conquista de fontes de matérias-primas e de mercados, a concorrência entre as potências económicas (Estados e grandes empórios), e ainda a ânsia de impedir o surgimento de quem pudesse pôr em causa a ordem politica e económica vigente, foram as causas profundas que provocaram a guerra.

O incidente fronteiriço, o exacerbar de sentimentos patrióticos, o injectar de medo por um inimigo estrangeiro, foram as mentiras utilizadas para levar os povos a aceitarem a guerra.

A história não se repete mas pode ensinar-nos a estarmos atentos.

Assiste-se (hoje) a uma corrida desenfreada aos armamentos, ao atropelo do Direito Internacional, às provocações entre Estados, à criação de um clima de medo, à conquista de fontes de matérias-primas e respectivas rotas de transporte, à custa de centenas de milhares de mortes e sem o menor respeito pela dignidade humana.

O equilíbrio e avanços civilizacionais que os povos exigiram após II Grande Guerra estão a ser destruídos. A libertação de povos do sistema colonialista está a ser substituída por novas colónias. Através da adulteração dos conceitos de democracia e liberdade, ignora-se a vontade, liberdade e segurança de Estados e povos.


Exertos do comunicado do Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC)

domingo, 16 de março de 2008

Cimeira dos Açores

Passam hoje cinco anos sobre a realização da "cimeira dos Açores", onde se decidiu o inicio da guerra do Iraque.
Até agora a guerra do Iraque é a segunda mais dispendiosa na história dos Estados Unidos, depois da Segunda Guerra Mundial e a segunda mais longa depois do Vietname… Até agora.

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

O mais antigo monumento do Peru

Uma equipa de arqueólogos alemães e peruanos encontrou o mais antigo monumento conhecido do Peru: um altar cerimonial construído à cerca de 5.500 anos. A datação por carbono 14 do material encontrado no local revela que o altar foi construído em algum momento entre os anos 3500 a.C. e 3000 a.C., disse Peter Fuchs, arqueólogo alemão que liderou a equipa.

A descoberta representa uma nova evidência de que a civilização floresceu no Peru aproximadamente na mesma época que no Médio Oriente e no sul da Ásia. “Isso levanta questões quanto ao que levou civilizações a florescerem pelo planeta, mais ou menos na mesma época", comentou Ruth Shady, uma destacada arqueóloga peruana.

O altar circular construído em pedras e barro faz parte do sítio arqueológico de Sechin Bajo, no sopé da Cordilheira dos Andes, 330 quilómetros a noroeste de Lima. O altar funcionava como um espaço cerimonial e social onde as pessoas da época "falavam sobre sua visão do mundo, seu lugar nele e a imagem que tinham do mundo e delas mesmas.