quinta-feira, 16 de julho de 2009

Cuba, bloqueio e uma certa esquerda.

Há uma certa “esquerda” que se caracteriza por curiosamente estar sempre a atacar qualquer experiencia de poder da esquerda, progressista, ou que seja minimamente desalinhada com o império americano. Em contrapartida estão sempre prontos a alinhar nas campanhas que esse mesmo império promove, sob a capa da defesa da “liberdade”.

Essa “esquerda”, tem em relação ao bloqueio que os EUA exercem sobre Cuba uma posição bem curiosa e cínica, não podendo defender a sua prática, pois de tão criminosa não tem defesa possível (a não ser pela direita mais fundamentalista), avançam com a tese de que o bloqueio não tem sentido e na prática só favorece o regime cubano. Para eles os sucessivos governos americanos, principalmente os últimos, têm à sua frente uma série de idiotas que querendo acabar com o socialismo em Cuba, tomam uma posição totalmente contraproducente, que só serve para manter o regime. Para eles esses dirigentes são no mínimo, uns incompetentes. Ou então a explicação estaria num sinistro complô entre as autoridades cubanas e americanas destinado a manter os comunistas no poder, pois sem esse argumento, a “incapacidade natural” da esquerda para governar, já teria levado ao fim do regime.

Tão cínica e irracional tese, que transforma as vítimas nos responsáveis e culpados das vilanias de que são alvo, e os algozes nuns pobres mentecaptos, só pode ter algum acolhimento em quem não faça o mínimo esforço em tentar entender o que significa e representa na prática o bloqueio total que os americanos exercem sobre o povo daquela ilha.
Neste momento o bloqueio, e as suas consequências estão a provocar fracturas importantes e graves na sociedade cubana, pondo em causa a manutenção do regime. Veja-se os efeitos na questão da moeda: com o fim do “bloco socialista”, Cuba viu-se completamente isolada, sem poder aceder a produtos de que necessitava e sem poder escoar os seus produtos. Para resolver o problema da aquisição de produtos ao estrangeiro o País precisava de dólares, por isso começou a aceitar que circulassem duas moedas, o peso cubano e o dólar, que passou a ter uma moeda equivalente, o peso convertível. A existência destas duas moedas e a dependência do turismo, estão a criar situações de desigualdade que pondo em causa a coesão do povo cubano, põem em causa a revolução; quem tem pesos convertíveis tem acesso a um nível de vida superior ao daqueles que só tem acesso ao peso cubano.

É claro que os americanos têm consciência disso e é por razões como esta que esse criminoso bloqueio se mantém!

E este é só um dos problemas que o bloqueio provoca.

10 comentários:

jorge disse...

Há uma certa esquerda que não entende o mundo em que vive. Não entende a dinâmica da sociedade actual, não compreende a realidade, não tem referências no presente mas tem a arrogante presunção de dar lições de moral a quem não pensa exactamente como ela. É como se fosse um clube privado (uma das palavras que abomina) onde alguém que tenha uma ideia diferente é posto imediatamente no seu lugar, o que, na maior parte dos casos significa a expulsão do clube. Há uma certa esquerda que fala como se estivesse em 1917 e que enche a boca com a palavra “trabalhadores” que cada vez soa mais oca quando incluída no seu discurso repetitivo e geriátrico. Há uma certa esquerda que precisa dos trabalhadores para chegar ao poder mas que uma vez este conseguido, rapidamente os reprime como qualquer ditadura, restringindo os seus direitos e levando-os para uma miséria que não tem nada de diferente da miséria a que o capitalismo igualmente os conduz. Há uma certa esquerda que acha que desde que as pessoas tenham que comer não precisam de pensar, pois ela pensará por eles. Há uma certa esquerda que interpreta o mundo de uma forma sui-generis: condena ferozmente a repressão nalguns países e zonas do globo (Israel/Palestina), mas assobia para o lado quando o mesmo se passa noutros lugares (China/Uigúria). Há uma certa esquerda que acha que o populismo, desde que seja ferozmente anti-americano é uma possibilidade de governo, esquecendo-se que em toda a parte há Albertos Joões, e que um energúmeno não passa disso mesmo por mais lenços vermelhos com que enfeite o pescoço ou papagaios que digam vivas à revolução. Há uma certa esquerda que já não tem rins de tanto se contorcer para se adaptar às curvas da história, e quando estas são tão apertadas que é impossível fazê-lo, simplesmente a “apaga”. Há uma certa esquerda que se diz anti-fascista mas que reivindica a herança stalinista fechando os olhos aos milhões de mortos que não são diferentes dos milhões que o seu antigo aliado nazi provocou. Há uma certa esquerda que se recusou a condenar a agressão que o seu ex “menino de ouro” Vital Moreira sofreu mas que se ofende com os cornos com que o seu actual (até quando?) “menino de ouro” foi presenteado na Assembleia. Podíamos estar nisto todo o dia, mas já começo a estar farto de enumerações. Para acabar, e continuando a glosar a expressão inicial, há uma certa “coisa” que se diz um partido de esquerda mas que não passa de uma força imobilista, anquilosada, desorientada e, acima de tudo, intolerante e brutalmente conservadora. É a “esquerda” que pariu luminárias como Pina Moura, Zita Seabra ou Vital Moreira, excelentes quando estavam no Partido mas péssimos quando dele sairam e que tem alguém, qual Benjamin Button que já nasceu velho, como actual líder parlamentar. Finalmente, não passam do segundo partido de esquerda (estou a ser benevolente no termo…) mas pensam e falam como se fossem o mais representativo nessa área política. Metaforicamente, quando “soltam os cães” à outra esquerda, parece o Benfica a falar do Porto….

Olaio disse...

Jorge, neste texto conseguiste explanar todos os teus conceitos de politica e a aversão contra o comunismo. Das dezenas de conversas que aqui temos tido, todas juntas dão este texto, nem uma ideia nova, a repetição do que a direita pensa acerca do último século, não és capaz de repetir senão os mesmos chavões anti-comunistas e algumas provocações, que poderiam ser proferidas por um conselheiro de Bush ou por Alberto João Jardim, que contigo estará de acordo em muita coisa que aqui dizes.
Enfim, nada de novo, apenas um discurso anacrónico e anti-comunista.

Olaio disse...

Já agora a propósito do que se passou na China/ Uigúria. É exemplar o facto de me questionares sobre o que lá se passou e de eu não fazer um post sobre esse tema, mas por exemplo não me perguntares porque não faço um post sobre o que se tem passado nos últimos meses na Amazónia peruana, nos confrontos entre a policia e os índios que se têm manifestado na defesa das suas terras. Confrontos que já levaram à morte de dezenas de pessoas e que praticamente tem sido silenciado pela imprensa do sistema/direita.

Talvez seja porque a imprensa praticamente não tenha falado sobre isso e tu não estejas a par, ou por não ser um tema que a direita goste de falar e tu também aches que não é relevante.

Para mim, acho que é mais grave não ter feito um post sobre o que se passa no Peru, dado que a imprensa do sistema procura silenciar essas questões, do que falar sobre o que se passa na China/ Uigúria, que é uma coisa que a direita e a sua imprensa tem noticiado com bastante destaque.

jorge disse...

Olaio, para acabar, os mortos são todos iguais. Os de esquerda e os de direita. Que eu saiba nenhum deles se mexe muito e um índio morto é tão imóvel como um uigur morto. Pelos vistos, para ti não, porque é a imprensa de direita que os noticia. Essa é uma das diferenças acerca do que, para mim, é ser de esquerda. Quanto ao que é ser comunista, muito haverá para dizer acerca do tema. A utilização do título não confere direitos especiais. Já agora, porque não fazes um post sobre os índios peruanos? O partido ainda não deu orientações sobre como abordar o tema?

Anónimo disse...

Boa Jorge.
Gostei das perguntas/ provocações tão a porpósito.
É o que eu digo, estes gajos de uma "certa " esquerda estão mortos ... só que ainda não sabem.
E um indio ou um chinês morto não se move... já um comunista Português.
Tem calma .. o partido deve estar a escrever algo profundamente revolucinário sobre a China/Uìguria... um comunista com ideias próprias é um comunista morto... ou no PS.

Olaio disse...

“Boa Jorge.
Gostei das perguntas/ provocações tão a porpósito.
É o que eu digo, estes gajos de uma "certa" esquerda estão mortos ... só que ainda não sabem.”

“Já agora, porque não fazes um post sobre os índios peruanos? O partido ainda não deu orientações sobre como abordar o tema?”

Olaio disse...

Pois é Jorge, és capaz de me dizer algo que defendas, um governo, uma politica, os judeus? Obama? Ou preferes ficar na cómoda posição de só criticar, assim não te comprometes, não é?

Ou achas que são todos iguais e sendo assim, o melhor é cada um desenrascar-se como pode?

Discutir contigo é uma tarefa impossível, porque tu não tens a coragem de abordar em profundidade um tema, o teu discurso acaba por fugir sempre para o mesmo conjunto de ideias feitas dos manuais do anti-comunista. Preferes a provocação, algumas vezes infantilóide; “Finalmente, não passam do segundo partido de esquerda (estou a ser benevolente no termo…)”, outras grosseira e baixa; “…Há uma certa esquerda que se recusou a condenar a agressão que o seu ex “menino de ouro” Vital Moreira sofreu”.

Faço um post a desmascarar a tua idiota e cínica tese de que afinal os beneficiados do criminoso bloqueio dos EUA a Cuba são os dirigentes dessa ilha, e tu como não te interessa discutir os factos, como não tens argumentos, fazes um comentário que foge ao tema e se perde num mar de ideias feitas… nem uma vez voltas a falar da questão do bloqueio. Enfim, não vale a pena discutir com quem só tem preconceitos.

Só uma última coisa, o que distingue a esquerda da direita É A POSIÇÃO QUE SE TEM EM RELAÇÃO À DISTRIBUIÇÃO DA RIQUEZA CRIADA E EXISTENTE.

Enquanto há uns que acham que a riqueza deve ser aprisionada, PRIVATIZADA, por uns iluminados, que depois a distribuem pelo povo ignaro segundo os seus interesses, há uns outros que defendem que essa riqueza deve ser distribuída de forma equitativa e justa por toda a população. Os primeiros são de direita, os segundos de esquerda.

Eu defendo em toda a parte aqueles que acham que todo o ser humano tem direito à Paz, Habitação, Saúde, Educação, liberdade, que a riqueza criada deve ser distribuída de forma justa e solidária.

Tu pelos vistos defendes que há uns “clubes privados”, ou tocados por um deus, quem sabe os judeus, que devem assenhorar-se do que a sociedade produz.

Para ti a Luta de Classes, é uma coisa que não existe, uma invenção dos marxistas, ou seja, na verdade tu és de direita, uma direita envergonhada que tem consciência do seu anacronismo e por isso gosta de se afirmar de esquerda, mas sem nunca se comprometer.

Silvares disse...

Depois de ler esta sequência de ideias fico com a sensação que:
1º Ser do PCP é um atestado de comunismo, uma espécie de certificado de "pedigree" esquerdista que ou se tem ou não se tem (que grande tirada!);
2º Que para se ser esquerdista é preciso ser anti-semita. Um bom esquerdista não pode gostar de judeus (isto faz de um bom esquerdista um mau esquerdista? Devo estar enganado):
3ºQue a culpa do mal do mundo é dos judeus. Mas isso eu já sabia, apesar de nunca ter lido o "Mein Kampf".
:-)

Olaio disse...

Silvares, não é sem uma certa dose de admiração que reparo que aderiste à terminologia dos neo-liberais e de tipos como Sócrates, que acham que quem seja de esquerda passa agora a ser apelidado de esquerdista. E quem é que é de esquerda? Os tipos do PS? O Sócrates? Só o BE, ou esses também são esquerdistas? É que aqui há uns tempos diziam que eles estavam à esquerda do PC… é claro que com os tempos agora parecem ser mais uns sociais-democratas de esquerda.

1º Pois parece que sim, pelos vistos de tantos grupos ditos comunistas que havia, hoje só o PC permanece orgulhosamente comunista, os outros procuraram tanto “renovar” o comunismo que hoje não passam de sociais-democratas, no minimo. Mas se por acaso achas que há outros comunistas fora do PC, sempre me podes explicar quem são, confesso que tenho curiosidade.

2º Embora não sendo esquerdista, daquilo que sei deles acho que deve haver esquerdistas para todos os gostos. Quanto a mim tenho a mesma opinião sobre todas as religiões e considero-as todas iguais, embora perceba mais de umas que doutras. Agora acho é que os sionistas são uns criminosos, qualquer coisa parecida com os nazis.

3º Se essa da culpa do mal do mundo ser dos judeus, tem alguma coisa a ver com o que eu disse, informo-te que estás enganado, não julgo que a culpa seja dos judeus, mas sim daqueles que acham, que por alguma razão especial têm direito a apropriar-se da riqueza que é criada pela sociedade, que defendem a propriedade privada dos meios de produção e coisas do género, sejam eles Judeus, cristãos, muçulmanos, budistas ou ateus.

Olaio disse...

Silvares, só me esqueci de dizer uma coisa, embora os neo-liberais e quejandos queiram impor as suas lógicas e pensamentos (únicos), sou e continuarei a ser de ESQUERDA tal como todos os comunistas, pelo menos os do PCP… os outros não sei.